Nunca uno filme representou tanto a época em que vivemos do que esse “Demolition Man” de Sylvester Stallone. Em um tempo em que critica-se tanto o “politicamente correto” (se bem que muitas vezes ser “politicamente incorreto” é desculpa para ser cretino, mas vá lá), a proibição do fumo em lugares fechados (apesar de que non sou obrigado a sentir cheiro de cigarro de ninguém também), das sacolinhas plásticas (com a falsa premissa de proteger o “meio ambiente”), das comidas calóricas em escolas, o fechamento de casas de tolerância (antes não tinha, agora tem) dentre outras coisas, essa película do Sly mostra como o que já é ruim pode piorar imensamente em uns 30 anos. É só vocês ficarem dando corda para esses Jânios/Kassabes/Serras/Russomanos que tem por aí.

“Um Austin Powers violento”

 
O roteiro do filme é tão pessimista que projetava para apenas 3 anos depois de suo lançamento (1996) a possibilidade de se congelar as pessoas até o seu julgamento e ainda previa uno estupendo terremoto 17 anos depois (o “Big One”, que é uma posiibilidade real e já foi utilizada no enredo de “Fuga de Los Angeles”) que separaria o sudoeste da Califórnia do restante do país, fora o fato dela ser uma metrópole totalitária e moralista apenas 36 anos depois da prisão dos personagens principais do filme (“San Angeles” – Santa Barbara, Los Angeles e San Diego).

A trama é una versão futurista e violenta de “Tom e Jerry” em que o “Jerry” é Simon Phoenix (Wesley Snipes), uma espécie de “Coringa negro” que quer o caos pelo caos. O “Tom” é John Spartan (Sylvester Stallone) policial que vai até as últimas consequências para prender os bandidos, nem que para isso tenha que derrubar um prédio inteiro (daí o nome “Demolition Man”, que também é nome de una cançon do Sting presente na trilha sonora desse filme). Como alguns reféns foram mortos durante a captura de Simon, ambos são congelados em câmaras criogênicas até o dia de seu julgamento. Só que algo dá errado, Simon escapa e sai cometendo assassinatos como não se fazia em San Angeles há 16 anos e “para capturar um maníaco é preciso soltar outro maníaco” já que a polícia dessa época é mais pacífica que noviça recém chegada ao convento. Daí libertam John Spartan para ver se ele consegue prender o ragazzo de nuovo.



“Se eles dois são Tom e Jerry, quem é aquela negona que era dona do Tom?” Bene, podemo dizer que a negona é o Cocteau (Nigel Hawtorne de “As Loucuras do Rei George”) que é uma espécie de líder espiritual e político de San Angeles. É ele o responsável pelo moralismo que tomou conta da metrópole após seu desmembramento (Já pensou amicco? Se São Paulo se separa do resto do país e mantém o Kassab como governante perpétuo?). Anda sempre com umas roupas esvoaçantes que pegou emprestado da “Tieta do Agreste” e com um gordonne bichona puxa-saco à tiracolo(Glenn Shadix, falecido em 2010).

“Tieta não foi feita da costela de adão…”

Por parlare em puxa-saco, mesmo congelado, Spartan conquistou uma fã, Lenina Huxley (Sandra Bullock, na época em que só fazia filmes legais), que apesar de ter nascido no século 21 é viciada em coisas do século 20, especialmente nos anos 90 (ela iria curtir muito as festas “Trash 90’s” que vão rolar muito ainda nesta década em que estamos). É dela a idéia de descongelar Spartan para capturar Phoenix o que irritou o chefe de polícia George Earle (Bob Gunton). Seu nome é inspirado em Lenina Crowley, personagem de “Admirável Mundo Novo” livro de Aldous Huxley (e per sua vez o nome da personagem do Aldous vem de Lênin)


Otro personagem interessante da trama é o ragazzo Edgar Friendly (Dennis Leary, o Fallon de “Judgement Night”, que um dia será comentado neste blog), que vive no subterrâneo junto com as pessoas que não concordam com o estilo de vida em San Angeles (se fosse em NY iriam dividir espaço com as Tartarugas Ninja) e que vira e mexe promovem desordem na cidade (leia-se pixar muros e invadir restaurantes. É o PSTU deles). É dele um curioso discurso sobre as liberdades individuais. Nem os iluministas fariam melhor (vaffanculo, franceses!)

Basicamente, San Angeles é o lugar mais careta do mundo. Tudo é ilegal (contanto que seja imoral ou engorde): Álcool, cigarro, carne, sal, comida apimentada, PALAVRÕES. Ecco, palavrões, e é isso que dá muita graça ao filme. Já pensou, amicco? Toda vez que você parlare um palavrão ganha una multinha? O Luxemburgo iria empobrecer em dois jogos do Grêmio.

Como que se usa as três conchas? Passei una década e meia me perguntando isso até finalmente ver a resposta no Bobagento.

tirado do I – Mockery

A propósito, sexo também é proibido, mesmo para fins de procriação assim como qualquer tipo de troca de fluidos. Quando a Lenina chama John Spartan para fazer sexo é certo que ele pensava em otra cosa. Em Barbarella há uma sequência parecida em que os personagens tomam uma pílula e encostam as palmas das mãos para fazer sexo.

Não é só Stallone e Bullock quem protagonizam as cenas legais desse filme. Wesley Snipes foi uma boa escolha para o papel de vilão. Só quem viu “Homens brancos não sabem enterrar” sabe do potencial do negão para fazer papel de sujeito falador e insano. As melhores cenas são de longe quando ele xinga o computadore e quando invade o museu em busca de armas.

E sabe quem que era a escolha inicial de Stallone para o papel de vilão? Jackie Chan, que apesar de ser muito amigo de Stallone, recusou porque os asiáticos não gostam quando um ator que faz papel de mocinho resolve interpretar vilão (Já pensou uno filme com Stallone e Jackie Chan? Já fizeram). A Lenina Huxley ainda cita o chinês quando explica para Spartan como aprendeu a lutar tão bem.

Steven Seagal e Jean Claude Van Damme também foram cogitados para o papel de antagonista, mas recusaram. Ou seja, o tal encontro entre Van Damme e Stallone que acontece em “Mercenários 2” já podia ter rolado há quase 20 anni. Schwarzenegger é citado em dado momento do filme, assim como Stallone também foi citado em “O Último Grande Herói”, filme que fora lançado no mesmo ano.

Há também três participações que passam quase despercebidas neste filme. Una é do Jesse Ventura, que assim como Schwarza também foi governador de um estado americano (no caso do Jesse foi o Minnessota) e fez com ele “O Sobrevivente” e “O Predador”:


Otra é do Rob Schneider, que faz uma das “moças” que trabalha no Departamento de Polícia de San Angeles:

E a mais surpreendente: Jack Black! Ecco, Jack Black, que deve ter brigado com o camera-man, pois mal aparece em cena (um ano depois ele estaria em “História sem fim 3”)


Buono, para mim é uno dos melhores filmes com distopias (una utopia ao contrário. O pior dos mundos para se viver). Agora é rezar para que o diretor Simon West não tenha estragado “Os Mercenários 2”. E para que na sua cidade ninguém elega um Cocteau.





Fontes:

Veja também:

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