Lembram-se do que eu escrevi semana passada sobre “Mercenários 2 e sobre dar ao seu público o que eles querem? Pois bene, há anos Sacha Baron Cohen, vem nos dando sempre o mesmo filme (o enredo do “diferente” que tenta lidar com uma nova cultura) com algum grau de evolução do anterior para o seguinte. Contudo nesse “O Ditador” além de não optar por um “documentário falso” (até porque agora é muito mais fácil identificá-lo), o famoso humorista judeu inglês resolveu ser mais “hollywoodiano” e colocou um final felicce na película em vez dos finales sarcásticos que o seu público esperava.

Quem conhece bem o Sacha, sabe que não é a primeira vez que ele opta por um desfecho mais “conservador” e “bom-mocista”. Seu primeiro filme “Ali G Indahouse também seguiu por uma linha assim, porém era a sua primeira grande experiência cinematográfica. Non tinha como chegar chutando a porta logo de cara. Uma vez que ganhou sucesso com “Borat” começou a se exigir mais dele como ator e principalmente como crítico de costumes como é. Em “Brüno” conseguiu ser mais ousado e repulsivo (no bom e no mau sentido) e só fez aumentar o grau de exigência em cima de seu próximo filme. “Que merda será que ele vai inventar, agora”?

O mentor intelectual de Sacha Baron Cohen

Uma vez que não poderia tentar enganar as pessoas fingindo ser um ditador de um país fictício (americano é pazzo mas nem tanto assim) restaria a Sacha fazer um filme que fosse tão sarcástico, inteligente e original quanto os anteriores. Sarcástico ele consegue ser, mas quando nós vemos a cena do General Aladeen triste na cama por não ter com quem dormir abraçadinho, já sabemos com mais de uma hora de antecedência que o filme terminará como uma típica comédia romântica. E quando a gente descobre que a ragazza Anna Faris está no elenco (fazendo cosplay de Soninha Francine) temos certeza absoluta. Não se esqueçam que ela já protagonizou a pior comédia romântica de 2011.

Cena do filme “O Ditador”

Para quem non conhece a história vai aí uno piccolo refresco: Ditador de nação norte-africana vai a América discursar na sede da ONU a respeito de seu programa nuclear. Chegando lá é traído por aquele que deveria ser o governante em seu lugar (Ben Kingsley) e substituído por um sósia (“O Grande Ditador, “Luar Sobre Parador, “O Prisioneiro de Zenda“, lembram-se?). Para que não seja reconhecido sua barba é arrancada e, desmoralizado, só consegue abrigo em uma loja de produtos naturais comandada por Zooey (Sonin…quer dizer Anna Faris). Para quem acha ridícula a idéia de tirar a barba do cara, saiba que a CIA já tentou fazer isso com Fidel Castro.

Tipo assim

Uno dos méritos do filme é mostrar o quanto a América é tão ditatorial quanto os seus inimigos (incluir Bush no meio de nomes como Khaddafi e Saddam como exemplo de que ditadores estão fora de moda foi genial). No entanto as críticas, ainda que necessárias e atuais, acabam ficando superficiais no filme. Vale lembrar que antes de Sacha, Adam Sandler já tinha tentado fazer algo parecido (mais superficial ainda e menos ácido, diga-se de passagem) em “Zohan: o agente bom de corte.

Quando seus filmes começam a ficar muito parecidos com os do Adam Sandler é bom se preocupar

Para non dizer que o filme é una completa porqueria, há muitas piadas ótimas lá. As Olimpíadas de Wadiya valem por tutto filme:

Quando Aladeen vai parar no restaurante dos refugiados de Wadiya também é ótimo:

As cenas do embaixador chinês também valem a pena:

E, obviamente, a cena do helicóptero:

Podemos creditar a excelências das piadas àqueles que escreveram o roteiro junto com Sacha, Jeff Schaffer, David Mandel e Alec Berg, roteiristas de “Curb Your Enthusiasm” e “Seinfeld“. Curiosamente esses três também foram os responsáveis por “Eurotrip“, um filme norte-americano cujo mote é tirar sarro dos europeus, uma espécie de “Borat às avessas”. Irônico, não?


Otra cosa de que non podemos reclamar é da trilha sonora do filme. Assim como nos outros filmes de Sacha, neste aqui a música é soberba. Principalmente a nova versão de “Next episode” de Snoop Dogg Dogg e Dr. Dre. Até o Khaled tá nessa trilha, lembram dele? Mérito de seu irmão Erran Baron Cohen, que é músico e também trabalhou na trilha sonora do ótimo “Santa Paciência.

Vamos ver se no próximo trabalho, o Sacha volta a nos surpreender ou vira uno “novo” Adam Sandler de vez. Talvez depois de uma sessão de tortura com o “entortador de pênis” ele tome jeito. Ou depois de um exílio em Wadyia.

Porra Sacha! Que mancada, hein!

Cotação:

6/10 cabeças de cavalo 10! 10 CABEÇAS DE CAMELO! ÓTEMO FILME! TOTALMENTE ALADEEN! LIBERTEM MIO PADRINO, PER FAVORE!

Fontes:

www.imdb.com
http://ciakomus.blogspot.com.br
http://mundoestranho.abril.com.br
http://www.verdazzo.com.br
quickmeme.com
http://www.firstshowing.net
http://br.mulher.yahoo.com

Update: A crítica feita pelo bambino Mau Saldanha está stupenda:


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