Buona gente, excepcionalmente hoje, non serei eu quem escreverá sobre cinema nesse blog. Fui gentilmente intimado   convocado pelo Excelentíssimo Deputaiado Protógenes a ceder espaço a ele para que escrevesse um alerta aos pais dos nossos bambini a respeito do filme “Ted”. Grazie a Dio ele non me fez perguntas sobre minhas atividades fora das salas de cinema. Parece que ele nem suspeita que eu mexo com contrabando com revenda de produtos no atacado e varejo. Sou eternamente grato a ele por ter prendido o Law Kin Chong (uno concorrente a menos para mim). Fiquem agora com o deputaiado (é assim que chamam no Brasil, ecco?)

Olá, queridos leitores deste blog. Venho aqui para alertar os pais da nossa nação sobre essa ameaça enlatada americana de nome “Ted” que vem tirar nosso sossego e perturbar a mente delicada de nossas crianças. Porque é evidente que mesmo com uma censura “16 anos” o apelo do filme é inegavelmente infantil. As crianças que veem as ilustrações todas querem assistir ao filme, porque tem um urso falante. Qual adulto quer ver um filme sobre um urso falante?

Você não me engana, ursinho!

Como meu filho tem 11 e é um pré-adolescente, além de futuro cidadão de bem desta nação, deixei que ele visse o filme com a minha presença. Vocês sabiam que mesmo com 11 anos ele já lê Gramsci? É o primeiro da classe no colégio em que estuda e é por isso que me preocupo com os efeitos que uma porcaria de pastiche ideológico estadunidense possa causar no meu guri.

Que falta de respeito!

O filme já começa com os americanos contando vantagem acerca de seu poderio bélico. O narrador do filme diz que não há coisa melhor no mundo que um helicóptero “Apache”, que o helicóptero Apache além de ter metralhadoras ainda carrega mísseis. Trata-se de uma propaganda não só do imperialismo ianque, mas da sua indústria armamentícia. Onde está a Embraer que não se manifesta a respeito disso? Em São José dos Campos temos tecnologia para fazer helicópteros muito melhores que esse Apache. Vou conversar com o presidente da empresa sobre isso.

Ursinho Imperialista

Antes fosse esse o principal problema dessa fita. Com menos de 20 minutos de filme eu e o pequeno Juan nos deparamos com vários comportamentos execráveis: 1 – O protagonista e sua namorada moram juntos SEM SEREM CASADOS. 2 – Ambos moram com um urso de pelúcia que anda e fala como gente. Quer dizer que É UM TRIO EM VEZ DE UM CASAL. Que exemplo estamos passando para a nossa sociedade? Em “Dona Flor e Seus Dois Maridos” um dos maridos já era falecido, portanto não configura bigamia, além de ser um sucesso DO NOSSO CINEMA.

O nome técnico disso é ménage a trois

E 3 – O ursinho em questão usa maconha. Isso, meus senhores, maconha até mesmo com modernos aparatos para o consumo de crackLogo na primeira cena, falei para Juan que havia coisas erradas no filme. Ele respondeu: “Já sei, papai. Esse ursinho é preguiçoso, só quer saber de fumar maconha e crack, não trabalha, vive de bico, não estuda”. Eu ainda falei que quem não estuda e não trabalha acaba consumindo drogas, tentando ajeitar as coisas. Ao perceber a conversa ao lado alguns garotos disseram “Tio, estamos sabendo, aquilo é maconha”. Ainda me chamaram de “Noob”. Não sei o que esses termos em inglês significam.

O horror, o horror!!!

Meu filho perguntou se eu queria ir embora. Respondi que não. Queria ver até onde ia aquele desrespeito. Todos no cinema estão consumindo pipoca e guaraná, enquanto na tela os personagens consomem droga. Antes tivesse ido embora. Em outra cena, o ursinho deita na mesma cama do casal NO MEIO DELES, mostra o dedo para o alto junto com o protagonista (para se defenderem dos trovões ou algo do tipo) e CONTINUA DEITADO LÁ. Felizmente a luz apaga e assim somos privados de saber o porquê de haver 3 pessoas na cama em vez de duas, pensei eu.

Três na mesma cama não pode!

Ledo engano, pois em outro momento o tal ursinho faz movimentos erotizados em cima de um caixa de supermercado, se insinuando libidinosamente para uma colega de trabalho. Pouco tempo depois eles mantem relação no almoxarifado do supermercado gerando uma fila imensa no caixa e prejudicando um monte de gente. Perguntei ao Juan se ele queria ir embora, mas ele disse que não porque que queria ver até onde iria aquele desrespeito.

Que ultrajante!

O tal ursinho libidinoso acaba sendo promovido pelo chefe em vez de ser despedido. É como se o meu nobre colega Romário chegasse para o Presidente da Câmara, lhe falasse que chegou atrasado à sessão porque estava transando com a assessora em seu gabinete e no outro dia fosse promovido a Presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

Ainda copia meu visual esse desgraçado!

É esse o problema desse filme, meus senhores. Ele passa a mensagem de que quem consome drogas, não trabalha e não estuda é feliz. É igual a declaração de um roqueiro estadunidense de nome Frank Zappa que disse assim: “Crianças, não usem drogas ou vocês vão ficar cretinos igual seus pais”. Isso é coisa que se diga? Vou pedir à Dilma para que proíba a apresentação desse músico em território nacional.

Satirizando nossa rainha, Xuxa

Não venham vocês me dizer que o protagonista só se dá mal com essa atitude, perde a mulher e o amigo e depois se regenera. Eu assisti o filme inteiro (quis ir embora antes, mas o pequeno Juan não deixou porque queria saber o que o ursinho e a mulher iriam aprontar). O mal já foi cometido e já se instalou na cabeça das crianças. No final todos ficam felizes para sempre, ninguém vai preso, ninguém é hospitalizado. Em outros filmes há também esse consumo de drogas, mas em alguma parte existe a contextualização de forma crítica e educativa: se consumir droga você fica doente, vai morrer, vai preso, perde capacidade de entendimento. Até bater com o carro eles batem e não são reprimidos. Vou levar meu pequeno Juan para assistir um filme educativo sobre drogas.

O filme todo poderia ser assim

O que mais me deixou entristecido foi ver um herói da minha infância, Flash Gordon, cheirando cocaína. Isso para mim foi a gota d’água! Lembro até hoje, de quando só passavam filmes decentes no cinema, de ir ver o seu filme em tela grande. Um filme maravilhoso cuja trilha sonora era composta pelo Queen (eu adorava “I want to back free” quando era moço. Gosto tanto dela quanto de “my sweet love” do George Herrisson. Todo amor devia ser doce). Infelizmente, corrompido pelo vil metal, o veterano ator Sam Jones resolveu se prestar a esse papel ridículo.

Você me traiu, Flash Gordon! Não sou mais teu amigo, aí no meio dessa galera!

Estou preparando um pronunciamento na Câmara para a próxima quarta-feira na Câmara. Quero aletar a população brasileira que nós não aceitamos esse tipo de enlatado americano. Produzir esse tipo de filme para ter uma veiculação abaixo da maioridade põe em risco todos os princípios de educação e cultura do país. No Brasil estamos longe de admitir isso.

Cinema Brasileiro: Melhor em tudo!

Para reparar o mal que indiretamente fiz ao pequeno Juan vou levá-lo para ver outro filme. Um desenho inocente. Chama-se “South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes”. Dizem que é muito bom.

 
 

     

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