É incrível como tem cosas que depois que entram em una novela, tornam-se populares. Agora que a atual novela das 8 tem cenas que se passam na Turquia, o país vem chamado a atenção dos noveleiros do Brasile. Tão sem sentido e mal encenado quanto as novelas da Glória Perez é esse “Star Wars” da Turquia (Dunyayi kurtaran adam/The man who saved the world; 1982), que, se o mundo fosse justo, seria muito mais reconhecido per estas bandas do que qualquer novela dessa mulher. Uno filme que é tão mal feito, mas tão mal feito que “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” perto dele é filme para Oscar.

Para quem non conhece o cinema turco dos anni 70 e 80, per favore leia esse texto aqui. Como era costume da época fazer versões de filmes americanos não foi diferente com Star Wars, apesar que as únicas coisas que há em comum entre o sucesso de George Lucas e essa tralha turca são algumas cenas do filme americano que são enxertadas no produto final, fora o fato do filme se passar no espaço, em uno deserto, ter uno grande e poderoso vilão e uno mestre sábio que morre durante a película e una grande briga em una cantina. Ao longo do filme percebemos otras “influências” (para non dizer, cenas e músicas roubadas na cara dura).

Já pela abertura temos una idéia da precariedade da obra: os créditos iniciais são pintados em uno pano preto que fica balançando em frente a câmera. Logo em seguida já começa a picaretagem suprema que ajudou a fazer sua fama aqui no Ocidente: várias cenas da batalha galática de Star Wars inseridas na abertura do filme, com una narração de fundo que non faz muito sentido em turco, que dirá em otra língua (será que foi una tentativa de simular aquele letreiro inicial do filme do Lucas?).

Nessa narrativa, ficamos sabendo que depois de muito tempo nossa “corrida espacial” virou “corrida galática”. Conquistamos o espaço sideral e toda a galáxia. No entanto uno terrível tirano procura de todos os modos destruir o planeta (non fica claro o porquê). Ele consegue destruir a Terra 4 vezes (!) e sempre ela se reconstrói (!!) e durante essa parte da narrativa a cena em que a Estrela da Morte destrói Aalderan é repetida sem descanso. Da última vez que tentam destruir o planeta, é formado um escudo de moléculas compartilhadas do cérebro humano (!!!) que impede que o plano maligno se concretize.

Como os alienígenas “não tem cérebro” (é assim mesmo que o narrador fala, o que me faz pensar que quem non tem cérebro é quem escreveu essa porquería), eles resolvem ir atrás de uno cérebro humano (se eles pensaram em una solução assim, quer dizer que eles tinham cérebro, não? Ah, deixa para lá!). Como resposta, a Terra manda “os dois mais fortes e habilidosos pilotos turcos” (DIO SANTO!!!! Faltou mandar o Maluf e o Kassab) para combater a ameaça extraterrestre.

Non bastassem copiar Star Wars, ainda modificaram as cenas: as naves do Império viraram as naves dos mocinhos e vice-versa. Para parecer que as naves dos vilões estam atacando a Estrela da Morte em vez de estarem saindo dela a cena é mostrada de trás para frente (!!!!!) Amicci, o negócio é sério!

A partir daí aparecem nossos dois heróis (!!!!!!!) com capacetes iguais ao do Luke Skywalker com cenas da perseguição espacial do filme americano projetadas atrás deles para dar a impressão de que estão pilotando mesmo os caças. As suas naves são abatidas e eles caem em uno lugar aparentemente deserto.

Após caírem podemos ver suas caras sem capacete e constatamos que… buono, além de serem feios feito a peste, as caras dos mocinhos são conhecidas nossas. Uno deles é Aytekin Akkaya, que fez o papel de Capitão América no não menos bizarro Homem Aranha Turco e que tem o cabelo igual o do Dedé Santana.

Já o otro piloto é Cüneyt Arkin, que além de ser o maior astro de ação da Turquia na época (!!!!!!!), foi o AUTOR do roteiro desse filme (ECCO, HÁ UNO ROTEIRO DESSE FILME). Depois de saber disso você vai pensar duas vezes antes de falar mal dos roteiros do Stallone.

Repare bem na cara desse farabutto e você verá que ele é una mistura do Cid Moreira dos anni 70 com o Maurício do Valle, que ficou famoso tanto por fazer filmes do Glauber Rocha, quanto por fazer filmes do Trapalhões e também por fazer o papel do deputado em “Os Sete Gatinhos”.

Apresentados os heróis, voltemos a ação. Como foi dito anteriormente, os dois caem em uno deserto. Quando levantam os olhos, aparecem unas cenas de pirâmides e da famosa “Esfinge Michael Jackson”. Pensei que fosse alguma referência à “O Planeta dos Macacos”, sugerindo que o planeta em que caíram fosse a própria Terra, mas non. Parece que os caras levaram a sério aqueles documentários da Discovery que sugerem que os ETs trouxeram as pirâmides (apesar de que o tema musical dessa cena É o de “O Planeta….”).

Mas do que o fato do lugar ser desabitado, preocupa a eles o fato de ser desabitado por mulheres (!!!!!!!!!perdi a conta). Ali (Dedé Santana), resolve usar seu “assovio de chamar mulher” (parei com as exclamações) para ver se aparece alguma.

Em vez de aparecer mulher, aparecem unos gordos vestidos de esqueleto, montados em cavalo, dando início a primeira sequência bizarra de luta desse filme ao som do tema de “Caçadores da Arca Perdida” (que já tinha tocado de fundo durante una cena de Star Wars).

Nossos heróis ganham a luta, mas mais à frente são capturados e são transformados em gladiadores para una platéia de meia-dúzia de humanos, que talvez non tenham cérebro também senão non precisariam capturar os terráqueos. Mais una cena bizarra de luta e nossos heróis fogem para as cavernas junto com os otros humanos, na sua maioria crianças, e apenas una mulher, que se tornará o par amoroso de Murat (O “Cid Moreira do Valle”).

Lá conhecem uno mestre sábio (Obi Wan Kenobi?) que é pai da menina e tenta nos explicar onde é aquele lugar e que ele é oprimido pelo Wizard, que é o “Darth Vader” deles (mais parece o Leônidas de “300” vestido com a roupa do Ming de “Flash Gordon” e uno capacete bizarro). Non dá para entender muito bem o que ele quer dizer e nem é buono tentar fazer isso (aliás non tente entender o filme todo, per que non dá. Nem o autor deve ter entendido).

Dentro das cavernas, os humanos são atacados por unas múmias. Nossos heróis, o sábio, a mulher e seu irmão mais novo conseguem fugir, mas as crianças são mortas e seu sangue é drenado para o corpo do Wizard, que precisa dele para se manter jovem e imortal (o filme é muito sinistro, mio San Gennaro!).

Arrependidos por terem perdido as crianças, Ali e Murat resolvem fazer uno treino intensivo de artes marciais para encarar os vilões. É o treino mais bizarro de toda a história do cinema mundial (sem exagero).

Depois de tanto zuar treinar eles vão à uno bar repleto dos tipos mais bizarros e estranhos possíveis. Non, non é na Rua Augusta. É em uno lugar que parece imitar a Cantina do Mos Eisley do filme do Lucas.

Lá há otro quebra-pau bizarro e os heróis são apresentados ao vilão Wizard. Ele lhes explica que pegou a mulher e o irmãozinho como reféns e pede que eles o acompanhem a seu palácio (no momento em que eles encontram o vilão toca o tema de “Flash Gordon”)

No palácio, Wizard Leônidas explica para Murat Cid Moreira que a fonte de seus poderes é uno cérebro (que mais parece uno chiclete mastigado pintado, mas todo cérebro parece uno chiclete mastigado mesmo) e pede para que o herói se junte a ele (“Venha para o lado negro da Força”?).

Mas ele se recusa e novamente temos una cena de luta bizarra com o turco arrancando os membros dos monstros de pelúcia e usando o como armas ao som do tema de “Caçadores da Arca Perdida”. Em otro lugar do palácio, a rainha, esposa do Wizard, tenta seduzir Ali Dedé Santana a fim de distraí-lo e matá-lo, mas não tem sucesso.

Apesar de vencerem seus inimigos, os dois turcos são recapturados e enterrados vivos COM TÃO POCCA TERRA que facilmente eles conseguem se desenterrar (é sério isso). Então eles são levados de novo a arena do começo do filme (detalhe que os espectadores são rigorosamente OS MESMOS. Pegaram as cenas do começo do filme e reutilizaram aqui). Esses turcos gabaritaram no vestibular da “Escola de Cinema Ed Wood”

Aí vemos novamente una cena luta bisonha com monstros de pelúcia, desta vez com o Cid Moreira do Valle usando trampolins que (quase) non aparecem em cena. Ele vence a luta, mas Ali continua preso. Em vez de resgatar o amicco, Murat usa isso para ganhar tempo para derrotar o vilão (decisão pela qual ele se arrependerá no decorrer da película).

O Sábio explica a Murat que os homens tornaram-se maus depois que se desviaram do caminho do Islã (rá!) e que tudo o que ele precisa para derrotar o mal é una espada feita de bronze que derreteu de una montanha que os protegia da radiação nuclear (non tente entender!) e uno cérebro que concentra todo o poder, bondade e sabedoria humana. Non sei o que tem na água desses turcos e prefiro non saber.

Se você acha que a tal espada é uno sabre de luz igual o dos jedis, você definitivamente non conhece o cinema turco. A espada é uno troço feio, de papelão, em formato de raio e pintado de dourado e o cérebro é otro chiclete mastigado (non me pergunte qual a é a sua função na luta que eu não sei).

Depois de pegar as armas, Murat enfrenta uno monstro (de otro filme cujas cenas foram reaproveitadas aqui) que se metamorfoseou em seu amigo Ali e depois ele enfrenta o próprio Ali que, provavelmente descontente  com a trairagem do seu companheiro resolve ir enfrentar Wizard sozinho, mesmo Murat tendo o libertado de una máquina de tortura feita de fios de telefone e bexigas (MIA NOSTRA SIGNORA!)

Só que sua tentativa de salvar o mundo non dá certo pois o Wizard Leônidas se disfarça de Sábio, engana o cara e toma dele as armas. Apesar de Murat aparecer em tempo e conseguir resgatá-las, o vilão já conseguiu poder suficiente para destruir o Planeta Terra.

Com a morte do Sábio, que teve suas energias drenadas (se tivesse “se unido à Força” seria quase o Obi Wan Kenobi) e de Ali, que foi atingido per una explosão ao tentar ir, de novo, enfrentar o vilão sozinho, sobra para Murat a missão de derrotar o “Darth Vader” desse filme.

Murat derrete a espada e o cérebro e com eles faz luvas e botas para enfrentar Wizard e seus farabuttos (non era melhor usar a espada mesmo? É melhor non tentarmos entender). E assim ele parte para a última batalha bizarra ao som do tema de Indiana Jones onde ele derrota o vilão de una forma mais bizarra ainda. Dio Santo!

Para quem aguentou ler o texto até qui e quiser conferir esta pérola do cinema internacional, o filme está disponível na íntegra no You Tube (com legendas em inglês e qualidade de imagem precária). Quem for mais entendido de cinema perceberá otros temas musicais inseridos no filme. Além de “Indiana Jones” e “Flash Gordon” no inicío da sequência de treinamento toca o tema da série “Battlestar Galactica“. Quando Murat encontra a espada, o tema é de “Buraco Negro”, o tema de “Ben Hur” é usado quando ele vê o cérebro poderoso. Uno tema de “007 contra o Foguete da Morte” também aparece no filme.

Até o dia do fim do mundo este blog analisará mais 5 filmes que você deve ver até a data. No fim do post há uno link com o que já foi publicado da lista dos 12 filmes. Arrivederci!


Cotação:

4/10 cabeças de cavalo – Melhor que “Caravana da Coragem”


Fontes:

http://criticaretro.blogspot.com.br/2011/03/ed-wood-1994.html
http://i2.listal.com/image/2057570/200full-.jpg
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-443583991-poster-chico-anysio-cid-moreira-contigo-anos-70-_JM
http://www.culturavisual.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/05/C3C5B7A4D6B44D09B15AE43F0DC95.jpg
http://terrornosofa.wordpress.com/2012/08/19/023-dunyayi-kurtaran-adam-star-wars-turco-turquia-1982/
http://vanguardarpg.tv-soap.com/t374-tor-buffer-star-wars-turko-dunyayi-kurtaran-adam-1982-nota-imdb-60-diretor-cetin-inanc
http://exumador.blogspot.com.br/2010/11/hollywood-turca.html
http://www.imdb.com/title/tt0182060/
http://en.wikipedia.org/wiki/D%C3%BCnyay%C4%B1_Kurtaran_Adam
http://viralatafilmes.blogspot.com.br/2011/03/dunyayi-kurtaran-adam-1982.html

Outros filmes para ver antes do mundo acabar:

#12 Cinderela Baiana
              
 #11 Uma Escola Atrapalhada

#10 Kung Fu Contra as Bonecas

#9 Homem Aranha Turco

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