UNA NOTA: Antes que vocês saiam por aí comentando o quanto o Quentin Tarantino foi revolucionário em colocar uno protagonista negro em uno western, sugiro que antes leiam esse dossiê, escrito pelo Felipe M. Guerra. Lembrem-se que, mais de una década antes, o Will Smith já tinha sido uno cowboy negro em “Wild Wild West”(Will foi a primeira opção de Tarantino para o papel). Feitos os esclarecimentos, prossigamos:

Non há melhor apelido para se dar ao Tarantino do que “nerd cinéfilo”. Porque o nerd non é só o ragazzo que sabe de tudo. É também o ragazzo que quer MOSTRAR para todo mundo que sabe de tudo. Tarantino é quase uno Sheldon Cooper do cinema americano. A cada 3 meses sai una lista com os melhores filmes de todos os tempos na opinião dele. É até difícil dizer “tal filme inspirou Tarantino” porque QUALQUER filme inspirou o testudo texano. É capaz até de você achar una referência a “Um pistoleiro chamado Papaco” nesse nuovo “Django Unchained”(Nada me tira da cabeça que esse negócio dos personagens falarem “ass” o tempo todo é una referência à pornochanchada). Para ele non basta só usar referências de otros filmes, tem que arrotá-las.

“Como te chamas” – “Papaco” – “Te chamabas!”

 Só que ao contrário de “Kill Bill”, nesse “Django”, Tarantino parece estar arrotando menos ou pelo menos mais baixo. Non que esse filme non tenha referências a otros. Está lotado delas. Contudo, se no épico de vingança com a Uma Thurman, o sósia do Samuel Rosa fazia questão de mostrar o tempo todo que aquele era uno TÍPICO filme seu e que ele tinha visto tutti que era filme de kung fu que você pudesse imaginar, desde “Bastardos Inglórios” ele parece estar UNO POCCO  mais sutil. As referências estão lá, mas o “cearense americano” agora conta as histórias na sua ordem tradicional (não mais de trás para frente ou indo e voltando como fazia em “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel”).

“Falou comigo?” – “Não, gracinha! Falei com a puta que te pariu!”

O ritmo também ficou uno pocco mais lento (não tanto quanto o John Ford ou Sergio Leone, mas bem menos frenético do que em “Kill Bill” ), mas ainda é o vecchio Tarantino, com seus diálogos aparentemente despretenciosos e banais, com muito tiro, sangue e gente gritando “FUUUUUUCK!” É uno filme Spaghetti em que de repente começa a tocar uno rap do RZA ou una música country atual.

“Do meu só sai! Cu foi feito pra cagar!”

 Além disso, se “Bastardos Inglórios” era uno tratado sobre o cinema e o seu poder de iludir, “Django Unchained” é uno filme sobre o trabalho do ator. Em vários momentos do filme, Django (Jamie Foxx) e Dr. Schultz (Christoph Waltz) são obrigados a interpretar papéis para conseguir o que querem e quando digo interpretar papéis non me refiro só a mentir, mas mesmo quando dizem a verdade ela é dita de forma interpretativa cheia de misé en scene (exemplo quando Schultz se apresenta como “agente legal e autorizado” e pede para examinarem o seus papéis assinados pelo juiz non-sei-das-quantas).

“Como é seu nome?” – “Linda” – “Não parece!”

Se você parar para pensar esse é uno tema corriqueiro dos filmes do Federer do Texas, desde “Cães de Aluguel” (lembra do esforço que o policial infiltrado tinha que fazer para se passar por bandido?). Aqui ele só deixa o negócio mais explícito.

“Eu sou da paz” – “Porra! Imagina se fosse da guerra!”

Apesar de se passar no EUA pré-Guerra Civil (1858) o filme todo é una analogia a lenda de Siegfried e Broomhilda, personagem da mitologia nórdica que também dá nome a mulher de Django (Kerry Washington). Para quem non lembra de Cavaleiros do Zodíaco (Tinha uno cavaleiro da HILDA, chamado Siegfried, lembram-se?), vai uno resumo de sua história, da forma como conta o Dr. Schultz: Brünnhilde está rodeada per uno anel de fogo em uno castelo de muros altos no topo de una montanha guardada por uno dragão. São os percalços per que Siegfried tem que passar para chegar até a princesa, com quem ele acaba ficando (a história original é bem mais trágica, mas deixa quieto). Quem gosta de achar significado em tudo no filme vai se deliciar tentando achar analogias entre os elementos da lenda e os do filme.

“Você fala demais amigo. Já estou me aborrecendo!”

 O enredo é o seguinte: Django é uno escravo que foi “comprado” pelo ex-dentista e atual caçador de recompensas, Dr. King Schultz, para que o ajudasse a capturar três brancos foragidos da justiça que eram da fazenda onde o escravo trabalhava. Com o tempo, Schultz vai ensinando Django a ser uno caçador de recompensas  também, a atuar e promete ajudá-lo a resgatar sua esposa Broomhilda que se encontra agora na fazenda de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). Com o decorrer da história vocês verão que non é só Django e Schultz  que sabem interpretar.

“Vai tomar no olho do seu cu, antes que eu me esqueça!”

Franco Nero, o Django original e Don Johnson de “Miami Vice” fazem participações mais que especiais nesse filme. O negão preferido de Tarantino, Samuel L. Jackson, também tá lá e o próprio Tarantino, como é de praxe, também mostra sua cara feia na tela em una sequência cuja conclusão tem cara de “filme de James Bond”. Non posso dar detalhes, só posso dizer que é una participação explosiva (NADA DE SPOILERS).

“O cara é foda! Botou no rabo dos dois sem vaselina!”
“Manda ela ir passando vaselina naquele cu ladrão!”
Arroz Uncle Ben’s: Só R$11,70 o pacote de 5kg

“Rôla pra mim, tem que ser por metro!”

 Spike Lee que me perdoe, mas o filme ficou muito bom. Se ele non gostou que tente fazer uno filme melhor (o bom de treta entre cineastas é que nela a expressão “non gostou? Faz melhor!” tem todo sentido). Roger Avary, se o Taranta copia tuas idéias, você vacilou em não ter feito esse filme primeiro. Agora que o Mr. Brown já fez filme de kung fu, de guerra, e western, podia fazer igual o Scorsese e fazer uno filme com temática religiosa (já pensou se ele convencesse o Jack Nicholson a fazer o papel de Deus? Hahahhahaha).

“Baixinho só serve pra levar recado pra puta!”

  A propósito, o José Mojica Marins, a.k.a. Zé do Caixão já dirigiu sua homenagem ao Django “D’Gajão: Mata para vingar”, fora o já citado “Papaco” de Mário Vaz Filho e “Uma pistola para Djeca” com Mazzarópi e direção de Ary Fernandes.

Só lamento o fato de Tony Vieira já ter morrido, pois ele era o homem certo para fazer otro filme desses por aqui. Já teria até o ator ideal para o papel.

No final do filme ele duela com o INRI Cristo

 Cotação:

8,5/10 cabeças de cavalo – Que levas nesse caixão? – Um monte de bosta!

Fontes:

http://cinema-way.com/wp-content/uploads/2012/04/Kerry-Washington-and-Christoph-Waltz-In-Django-Unchained.jpg
http://images02.olx.com.br/ui/2/00/38/1351618205_451149238_1-Fotos-de–DVD-Cinema-nacional-Raro-Um-Pistoleiro-Chamado-Papaco-1986.jpg
http://scriptshadow.blogspot.com.br/2012/10/screenplay-review-django-unchained.html
http://omelete.uol.com.br/images/galerias/Django-Unchained//Django-Livre-06dez2012-03.jpg
http://moviesforfree24.blogspot.com.br/2013/01/django-unchained-2012-free-movie.html#.UPgEq3l8nRQ
http://i.bollywoodmantra.com/albums/movie-stills/django-unchained/django-unchained-movie-stills__458011.jpg
http://news.doddleme.com/wp-content/uploads/2013/01/django-unchained-2012-movie-wallpaper-for-1920×1200-widescreen-11-488.jpg
http://www.afrobella.com/wp-content/uploads/2012/12/Django-Unchained-wallpapers-1920×1200-2.jpg
http://cdn-images.hollywood.com/site/Django_620_122712.jpg
http://www.apnatimepass.com/leonardo-diCaprio-in-django-unchained-movie-4.jpg
http://thegrio.files.wordpress.com/2012/12/samuel-l-jackson-django-unchained-closeup-16×9.jpg?w=617
http://img2-2.timeinc.net/ew/i/2012/12/21/Franco-Nero.jpg
http://collider.com/wp-content/uploads/django-unchained-don-johnson.jpg
http://cdn.ientry.com/sites/webpronews/pictures/django-unchained-trailer_616.jpg
www.imdb.com
http://pt.wikipedia.com

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