Certa vez quando criticaram o filme “Tetro” do Francis Ford “Dio Santo”Coppola, acusando o de ser piegas, alguns críticos disseram “Ué, O Poderoso Chefão também é! É só tirar a parte dos tiros e da máfia”. Se non fosse o sapato de cimento que eu lhes coloquei, diriam a mesma coisa deste “Hitchcock”: “Tirando a parte dos bastidores de Psicose, é um filme sobre a possibilidade de ter levado um chifre ou não”. Nesse caso sou obrigado a concordar com eles. Vou pedir aos peixes que lhe transmitam minhas sinceras scusas.

Um filme em que Hitchcock faz mais que uma simples aparição

Non quero dizer que o filme seja ruim, non é isso. A primeira metade do filme é muito boa, pois foca mais no esforço enorme de Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) em filmar “Psicose”. A saber: Durante a premiére de “Intriga Internacional”, uno jornalista qualquer questiona se non é o momento dele “parar enquanto está por cima” já que acabara de completar 60 anni. Agora eu entendo porque o Muricy Trabalho odeia jornalistas.

Girando, girando, girando prum lado!

Girando, girando, girando pro outro!

AAAAH LELEK LEK LEK LEK LEK LEK LEK LEK LEK LEK…

Embora sua esposa Alma Reville (Helen Mirren) insista para que ele trabalhe com uno roteiro de Whitfield Cook (Danny Huston, que em uno próximo filme fará o papel de Richard Nixon, que já foi de…), que vive dando em cima dela pelas costas do marido, Hitchcock prefere adaptar para o cinema o livro “Psycho”, de Robert Bloch, inspirado na história real de Ed Gein, uno maluco que desenterrou a própria mama, dormia com ela na cama de noite, matava os otros e usava os pedaços dos corpos para decorar a casa. A história desse psicótico inspira vários filmes até hoje. De “O Silêncio dos Inocentes” (que era protagonizado por que ator mesmo?) até “Ed e sua mãe morta” (com o brilhante Steve Buscemi).

Até o Beiçola de “A Grande Família” é inspirado no Ed Gein

É obvio que em 1960, ninguém financiaria uno filme que conta a linda história de uno ragazzo que usa pele humana como estofado de poltrona. Se fosse unos 10 anos depois, os estúdios fariam fila por uno filme desses. É isso que define uno grande diretor: Uno homem à frente do seu tempo, que filma aquilo que só teriam a idéia de fazer daqui a alguns anos. Non me lembro se antes de fazerem uno filme sobre  Vito Corleone, se as pessoas se interessavam em retratar a famiglia dos mafiosos. “O Último Grande Herói”, também,  só foi reconhecido pelo seu valor depois de muitos anni. Mas Hitch non podia esperar (vou chamá-lo de Hitch. Segurem o “cock”. ESSA PIADA TÁ NO FILME!).

“Boba, cara de mamão!”

Como a Paramount non tava disposta a correr esse risco, Hitch resolveu pagar o filme do próprio bolso dando a mansão como garantia de pagamento. Se a Alma já tava furiosa do Hitch non confiar no trabalho dela como roteirista (fez duras críticas ao roteiro que ela estava fazendo com o Cook, do tipo que NON se faz à própria esposa), agora que ele resolveu mexer no bolso deles, ficou mais brava ainda. Faltou alguma coisa?

“Se tu fizer uma dieta a gente economiza uns US$ 1000 por mês”

Faltou. Faltou mexer no ego dela. Quem acompanha a carreira cinematográfica do gordo sabe que ele tinha una predileção pelas loiras (Ingrid Bergman, Grace Kelly, Kim Novak, Eva Marie Saint e, agora, Janet Leigh, interpretada no filme por Scarlet Johansson). Alma sabia disso, mas começou a ficar mais incomodada ainda depois que achou una espécie de coleção particular de fotos de loiras famosas que o Hitch mantinha em una gaveta. Aí foi a gota d’água para ela começar a passar mais tempo com o Cook do que com o “Cock” (ou com o “cock” do Cook, sei lá! Vocês entenderam).

“As meia nova só me apertam. Hoje eu vou comeiasvéia”

“Ah! Mas sexo non era a preocupação da Alma. Eles já dormiam em camas separadas faz tempo!”. Amicco, eles dormiam em camas separadas porque o Alfred pesava mais de 100 kg. Precisava de una cama reforçada só para ele e separada da Alma para non esmagá-la.

“Nem ferrando que eu vou virar patê de véia”

É a partir daí que eu acho que o filme perde uno pocco da sua força. Enquanto o foco era os bastidores de “Psicose” o filme empolgava. Quando o foco se volta mais para a galha (ou não?) do Hitchcock  perde uno pocco do ritmo, na minha opinião. Considerando que é o primeiro longa-metragem de ficção de seu diretor (Sacha Gervasi, que foi roteirista de “O Terminal” e “A ocasião faz o ladrão”) até que non é de todo ruim, mas eu gostaria de ver esse mesmo filme dirigido pelo Rob Reiner, responsável por “Louca Obsessão” e “This is Spinal Tap”(apesar de que faz tempo que ele non faz algo bacana…).

Prefiro o Norman Bates! Sério!

Uno ponto forte desse filme foram as aparições de “Ed Gein” (Michael Wincott) como una espécie de “guru espiritual” de Hitchcock durante o processo de confecção do filme. Me lembrou as aparições do “Elvis” para o personagem principal de “Amor à queima roupa” ou as do Jim Morrisson para o Wayne em “Quanto mais idiota melhor 2”. A abertura do filme é esplêndida e o encerramento melhor ainda (principalmente o “gancho” para o próximo filme do gordo). A mistura entre realidade e delírio me lembrou também “Dragon: The Bruce Lee Story” de Rob Cohen.

Em 1990 e pouco tinha uno ragazzo que ia no Programa do Ratinho vestido de bailarino igual esse Ed Gein

Mio destaque vai para o elenco desse filme. Além das presenças de Hopkins, Mirren Wincott e Johansson, James D’Arcy roupa a cena fazendo o papel de Anthony Perkins. Ele convence muito bem como “galã que non saiu do armário“, reparem só!

“Sabe como é? Ter que fingir para as pessoas ser algo que você não é?”

Destaco também a breve aparição de Ralph Macchio. ECCO! Daniel San está no filme, em una curta aparição como Joe Stefano, o roteirista de “Psicose”. Espero que com isso ele volte a fazer papéis relevantes.

Sr. Hitchcock, o que quer dizer com “Lixe o assoalho”?

Otro que faz una curta aparição é Kurtwood Smith, o vilão Clarence Boddicker de “Robocop”, que eu espero ver em algum dia da minha vida fazendo o papel de Edir Macedo em uno filme biográfico. Só a semelhança física entre os dois por si só justificaria fazer o filme. Aqui ele interpreta Geoffrey Shurlock, o homem forte da censura naquela época. A cena em que ele e Hitch discutem sobre colocar ou non una cena de DESCARGA DE BANHEIRO no filme merece entrar para os anais (epa!) do cinema mundial.

“Meu amigo, minha amiga! Você que está aí sofrendo com encoxto!”

Otra que merece destaque é Toni Collette, que já foi indicado ao OSCARTM de “Melhor atriz com nome de travesti” (perdeu para una atriz chamada “Talulah”). Também foi “mãe de família” em “Pequena Miss Sunshine” e neste filme, faz o papel de Peggy, a secretária de Hitchcock.

“Traveco é a puta que te pariu!”

Enfim, non é uno excelente filme, mas é melhor que muita coisa em cartaz por aí. E serve como una baita homenagem ao “Mestre do Suspense”, comparável somente a homenagem feita por Mel Brooks em “Alta Ansiedade”, parodiando mais de 10 filmes de Hitch. Ou a cena do chuveiro em “Férias Frustradas”. Ou então a primeira parte da carreira do Brian DePalma.

Faltam mais uns 10 kg

Cotação
7/10 cabeças de cavalo – Se non fossem as “dores de corno” era 8. Espero uno “Hitchcock 2”

Fontes:
http://www.imdb.com/title/tt0975645/
http://guiadoocio.com/wp-content/uploads/2013/02/hitchcock.jpg
http://cidadaoquem.blogspot.com.br/2008/09/comendo-o-po-que-hitchcock-amassou-o.html
http://globoesporte.globo.com/platb/files/1029/2011/07/Pegadinha-do-Malandro1.jpg
http://tv.i.uol.com.br/album/personagens_mudanca_de_sexo_f_012.jpg
http://www.facebook.com/MuricyTrabalhofilho?ref=ts&fref=ts

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