“Tomates, tomates, tomates”, passei una semana inteira só ouvindo falar sobre isso. Agora parece que mudaram de assunto e tão falando de uno tal de Gerald Thomé, que faz cosas que eu só acredito vendo e de repente fiquei com saudades dos tomates. Mas precisamente daqueles tomates antipáticos que surgiram no final dos anni 70, voltaram entre a década de 80 e 90 para depois sumirem de vez (desses filmes ninguém faz remake, né? Bando de farabuttos!). Pomodori assessini, que eram derrotados se você tocasse música ruim para eles (deve ser por isso que non voltaram mais com tanto funk tocando por aí…).
Hoje vou escrever sobre uno filme enigmático dessa série, que conta com a presença de uno jovem e cabeludo George Clooney.

“Mas porque não escrever sobre o primeiro filme da série: Ataque dos Tomates Assassinos. Primeiro porque, como já citei anteriormente, é uno dos primeiros filmes de George Clooney (Non é seu primeiro papel de destaque no cinema. Essa “honra” pertence a “De volta à escola dos horrores”, una espécie de “Pânico 2” dos anni 80). Segundo, esse é uno daqueles filmes que “quebra a quarta parede”, com os atores conversando com os espectadores e nos lembrando o tempo todo de que estão atuando em uno filme. E terceiro, por una questão afetiva, pois foi o primeiro filme da série que eu vi.

O filme já começa metalinguístico: Trata-se de uno filme que será exibido em una sessão chamada “One dollar movie” parecida com a “Sessão Premiada” que tinha no SBT, non sei se vocês lembram.

Durante a exibição do filme, o telespectador liga para o programa (o aúdio vaza no meio do filme) e se responder qual é a palavra premiada (nesse dia a palavra era “the”) ganhava uno incrível prêmio de US$9,22. O negócio parece tanto com cosa do SBT que tem uno filme que reprisa toda semana (uno filme bobinho de praia “Big Breasted Girls go to the beach and take their tops off“. Por sinal, a série de filmes dos Tomates Assassinos foi exibida várias vezes no SBT na década de 80)

Cazzo, Rogério Cardoso!

A cosa é tão (propositadamente) tosca, que o título do filme é o mesmo do seu anterior, com una correção feita a mão e reaproveitando cenas desse filme, uno recorte de jornal da época serve de gancho para a continuação, mostrando o que aconteceu com o herói Willbur Finletter (Rock Peace, mais parecido com o Samuel Rosa do que o Tarantino), que foi condecorado pela Casa Branca, abriu una pizzaria, mas teve que se adaptar aos novos tempos, pois o governo teve a brilhante idéia de banir os tomates do país, fazendo com que Willbur tenha que “inovar” usando ingredientes como manteiga de amendoim (ECA!), marshmallow (ARGH!) e geléia de framboesa (DIO SANTO!).

Na sua pizzaria trabalha Matt (George Clooney), o garanhão da vizinhança, que engana várias mocinhas inocentes prometendo a elas uno encontro com Rob Lowe (que na época, era MUITO mais famoso que Clooney. Hoje em dia a gente só conhece Rob Lowe, por causa de sua aparição em “Obrigado por fumar”)

 

 

 Trabalha também nessa pizzaria o sobrinho de Willbur, Chad (Anthony Starke, que non tem nada a ver com o Homem de Ferro e fez o padre jovem em “Repossuída”), rapaz tímido, puritano e de bom coração que, graças as coincidências dos filmes, é apaixonado justamente pela amante do Dr. Gangreen, cientista louco que quer transformar tomates em assassinos humanóides com a aparência do Rambo (John Astin, o Gomez do seriado “A Família Addams” dos anni 60).

A ragazza, de nome Tara, também é uno tomate que assumiu forma humanóide (Karen Mistal, que depois faria o terrível “Mulheres Canibais da Selva do Abacate da Morte”). Depois de ser destratada pelo cientista e ter seu animal de estimação jogado no lixo (uno “tomate peludo mutante” fofo e simpático. ECCO! Se você pensou em “Gremilins” acertou!) ela foge da mansão do vecchio e vai se esconder na casa do Chad, que é o único ragazzo que ela conhece (entrega pizza na mansão todo dia).

Apesar de Chad ser apaixonado por Tara, a presença dela só lhe traz problemas, pois a bambina é obcecada por torradeiras (!) e gasta una fortuna com fertilizantes. O desgaste na relação deles começa quando ambos vão a una loja de adubos e flagram o seu proprietário traficando tomates ao som de una versão do tema de “O Poderoso Chefão” composto pelo Nino Rota. Até chorei quando assisti! Chuif!

Chad abomina tomates, pois seu tio sempre lhes disse que tomates eram maus e ele non sabe que ela é tomate e nem que esconde uno tomate peludo de estimação. Quando ele descobre a verdade, ela foge e é capturada por Igor (Steve Lundquist) o ajudante do cientista, que é obcecado em ser apresentador de telejornal e mais parece una versão anabolizada do Gugu Liberato.

OLHAAAAAA!!!!

“Se você pensou em The Network, acertou! ECCO!”

Arrependido, Chad vai até a mansão do cientista resgatar sua musa (a cena em que ele finalmente se toca de que ela deve estar escondida lá é hilária). Espionando lá, ele e o Clooney  descobrem os planos de Gangreen, mas são trancafiados em una masmorra junto com Tara e o tomate peludo, que consegue  escapar de lá e levar uno bilhete até o tio Willbur pedindo ajuda. O herói reúne sua trupe (Uno mergulhador profissional que usa máscara de mergulho até em terra firme e uno negão que é mestre dos disfarces) e vão todos resgatar os mocinhos e impedir que Gangreen e sua gangue libertem o vilão do filme anterior, o ex-Assessor de Imprensa da Casa Branca, Jim Richardson (Rick Rockwell, praticamente uno Oliver North, que inclusive é citado no filme) e prossigam com seu plano de dominação do mundo.

A princípio, parece ser una típica comédia dos anni 80, mas non é, principalmente por causa da “quebra da quarta parede”. A cena mais emblemática desse filme e que melhor representa isso é a parte em que a gravação é interrompida por falta de dinheiro e George Clooney (sempre ele) sugere que sejam feitas ações de merchandising no filme, em vez de se usar marcas genéricas como se fez durante a primeira metade do longa. A forma descarada, cínica e irônica com que o merchandising é feito no filme faz com que a cena seja considerada una das melhores de todo o cinema oitentista, sem exagero:



Otra pérola desse filme é a cena em que o mestre dos disfarces Sam Smith (Frank Davis) é confundido com Muamar Khaddafi e atacado pelo Willbur iniciando una cena de briga com a presença de ninjas e caubóis que surgem do nada. Hilário!

E o que dizer da vecchia esbravejando com os espectadores durante os créditos: (e a cena pós créditos é a melhor de toda a série!)

O repórter (cujo ator C.J. Dillon faz mais otros 4 personagens no filme) também é fantástico:

São tantos momentos brilhantes no filme que é difícil ficar apontando aqui. Quisera esses “Todo Mundo em Pânico” que tem por aí terem metade da inventividade e criatividade de John DeBello, diretor, produtor e roteirista dos filmes. Tenho preconceito com remakes/sequels/prequels, mas se fizessem uno novo filme dessa série com participação do George Clooney, eu faria fila no cinema para assistir. É uno tomate que vale a pena pagar caro.

O filme está na íntegra no You Tube.



Cotação

7,5/10 cabeças de cavalo – O que vale mais 1kg de tomates ou 1kg de cenouras? (sendo todos assassinos)

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Oliver_North
http://movies.tvguide.com/return-of-the-killer-tomatoes/127780
http://www.imdb.com/title/tt0095989/
 

Advertisements