“Elysium”, derradeiro filme dirigido pelo sul-africano Neil Blomkamp, non é sobre saúde pública. É sobre luta de classes e qualidade de vida. No entanto a falta de saúde do protagonista é o que o tira da inércia e faz com que a história se movimente, o que me faz pensar que se existisse SUS em todo o planeta em 2154 ou um programa “Mais Médicos”, que importasse profissionais que atendessem em Elysium, non existiria trama para este filme.

A trama é a seguinte: Max DaCosta (Matt Damon fazendo uno personagem com NOME LATINO. Se non iam colocar uno ator latino como protagonista que ele tivesse uno nome WASP, cazzo!) é uno ex-presidiário que busca una vida nova na condicional (citação obrigatória à Racionais MC’s), vivendo em uno planeta Terra completamente arrasado. Depois de ter uno braço quebrado pelos robôs da polizía e ter meio dia de trabalho descontado, Max sofre uno acidente com radiação, é demitido da Armadyne, empresa em que trabalha, tem apenas 5 dias de vida e tudo o que ganha é apenas unos analgésicos (non existe CLT no século 22). Sua única esperança de vida está nas “camas mágicas” de Elysium – estação espacial na órbita terrestre onde vivem os mais ricos – que curam qualquer pessoa em segundos. Para chegar lá, Max terá que fazer uno favor para Spider (Wagner Moura), “coiote” que transporta as pessoas clandestinamente para Elysium: fazer o download de dados sigilosos armazenados na cabeça de alguno “patrão” que esteja na Terra (inspiração direta de “Neuromancer”, romance de William Gibson que originou “Ghost in the shell“, “Johnny Mnemonic” e “Matrix“)

Se eu tivesse poder para escolher data para estreia de filmes, colocaria Elysium primeiro nos cinemas brasileiros e depois para o resto do mundo, pois esta película tem uno valor espciale para os brazilianni. Non só pela questão da saúde que eu citei antes, mas também porque no filme Los Angeles virou uno imenso favelão, muito parecido com (insira aqui o nome de uno lugar de São Paulo que você ache detonado) e pela presença dos atores tupiniquins Wagner Moura e Alice Braga, que junto com Lázaro Ramos, que non participou da brincadeira desta vez, protagonizaram uno triângulo amoroso em “Cidade Baixa”   (daí uno indicou o otro para o filme).

“Já falei que tu num é caveira! Tu é muleque! Muleque!”

Wagner Moura interpreta uno típico “coyote de Tijuana” misturado com personagem de história em quadrinhos, mas faz isso tão bem que a gente até releva que o personagem seja estereotipado e vibra com a interpretação dele (que é fantástica). Para mim ele lembra, eu disse LEMBRA, o Drexl, personagem de Gary Oldman em Amor à queima roupa, com a diferença que Drexl era uno cafetão branco que queria ser negão e Spider, personagem de Wagner, É uno latino, sendo latino e de una forma estupenda.

“Eu tô com uma criança pequena aqui, pô!”

Infelizmente non posso dizer o mesmo da Alice Braga. A personagem dela é sub-aproveitada na trama. Basicamente ela só serve para fazer contraponto ao mocinho (quando crianças cresceram juntos. Ela virou enfermeira e ele ladrão de carros) e ser a “donzela em perigo” (SEM SPOILERS). É una pena pois ela interpreta bem e já fez vários filmes lá fora. Tomara que non se queime.

“VAI SUBIR NINGUÉM! VAI SUBIR NINGUÉM!”

Otra atriz que é sub-aproveitada no filme é a já vecchia de guerra, Jodie Foster, que interpreta Delacourt, a Secretária de Defesa de Elysium. Non vou soltar SPOILER, mas a personagem que tinha tudo para ser a grande vilã do filme non aparece nele de forma satisfatória, embora roube a cena todas as vezes em que apareça. No entanto a “vilania” do filme acaba sendo dividida com John Carlyle (William Fichtner, o banqueiro da máfia em “O Cavaleiro das Trevas”), dono da Armadyne e com Kruger (Sharlton Copley, o Wikus Van De Merwe de “Distrito 9”), o mercenário de estimação da personagem de Jodie Foster responsável por deter todos aqueles que tentam entrar ilegalmente em Elysium (troque aqueles botes que saem de Cuba em direção à Miami por unas naves espaciais. Kruger é o guarda da fronteira).

“Só faço papel de ricão escroto nos filmes”
“Tô parecendo aquele cara do Homem de Ferro 2”

Quanto ao filme, é meio irregular. A premissa é excelente, embora non seja das mais originais desde que Fritz Lang lançou “Metrópolis” passando por Demolition Manentre outros, mas isso non é culpa do diretor, mas sim do mundo que continua tão injusto quanto na década de 30, o que faz o filme atual. O problema é que seus personagens são uno tanto planos e toda crítica existente na trama se dilui na correria desenfreada do último ato do filme (o que aliás é uno defeito de muitos filmes de Hollywood). Ainda assim, com todos seus defeitos, “Elysium” consegue ser melhor que muita porquería que é despejada nos nossos cinemas todos os anni.  Pelo menos as sequências de ação são muito boas, mesmo com a câmera tremida (mal de nossa década, perpetuado por “A Bruxa de Blair” e pela saga do personagem mais famoso do Matt Damon, “Bourne”).

Enfim, só nos resta rezar para que nossos bisnetos ainda desfrutem de leis trabalhistas decentes e uno sistema de saúde universalizado e bom. Ou que consigam viajar facilmente para Elysium.

 
Cotação:

7/10 cabeças de cavalo – Melhor do que vaiar médico cubano no aeroporto

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Neuromancer
www.imdb.com
http://www.youtube.com
http://www.firstshowing.net/2013/matt-damon-geared-up-on-first-elysium-poster-trailer-tomorrow/
http://brcine.com.br/noticia/wagner-moura-e-elogiado-pela-midia-mundial-por-atuacao-em-elysium/
http://bichodesetepapao.com.br/2013/04/elysium-trailer-com-matt-damon-wagner-moura-e-jodie-foster/
http://fireballtim.com/2013/07/14/jodi-foster-explains-future-badass-philosophy-elysium-featurette/
http://moviepilot.com/movies/44956-elysium/cast
http://www.ew.com/ew/gallery/0,,20483133_20724189_30001973,00.html


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