Alguno ragazzo desavisado pode achar que futebol e fórmula 1 non são esportes bons para virarem filmes. Infelizmente a maioria dos filmes que vemos são dos EUA e lá eles preferem oval (tanto a bola do futebol deles é oval quanto os circuitos da “fórmula 1” deles), por isso non conhecemos filmes bons sobre esportes non americanos. O grande mérito deste “Rush” é o de non ser una película sobre fórmula 1, e sim sobre rivalidade e sobre jeitos diferentes de viver a vida. A grande discussão da película é se vale a pena viver cada dia como se fosse o último ou ser metódico, calcular cada passo e non se permitir errar

Filmes sobre rivalidades existem desde que existe o cinema. Inácio Araújo comparou este filme com o western “O Homem que matou o facínora”. Eu o compararia com “western modernos” como “Fogo contra Fogo” ou “Viver e Morrer em Los Angeles” em que você acompanha dois homens que lutam de lados diferentes, mas que conservam um certo respeito mútuo (afinal, onde non há respeito non há rivalidade de verdade).

A única diferença aqui é que o personagens são reais (uno deles está vivo até hoje) e non usam armas de fogo, nem querer uno tirar a vida do otro, mas sim, provar sua superioridade (é uno filme esportivo, né).  Além disso, se for parar para pensar sobre os filmes de corrida feitos nos últimos 30 anni, o melhorzinho é “Dias de Trovão” de Tony Scott, com Tom Cruise (Nem estou considerando a animação “Carros” da Pixar, que eu até curto bastante, ao contrário da sua sequência). Quando Stallone se meteu a protagonizar uno filme assim saiu o péssimo “Alta Velocidade”, que o Sr. Diogo Mono apelidou de “Nextel”, por que será?

Um mendigo fazendo cocô é menos feio que esse filme

A trama é a seguinte. Rivais desde a Fórmula 3 inglesa, James Hunt (Chris Hemsworth, rebatendo todas as críticas que recebeu em “Thor”) e Niki Lauda (Daniel Brühl, o Fredrick Zöller de “Bastardos Inglórios”, em seu melhor papel em Hollywood) tem personalidades bem distintas. O primeiro é uno playboy, mulherengo,  que quer estar sempre no centro das atenções (é como se o Collor fosse corredor de F1) e o otro é extremamente perfeccionista, dando pitaco em tudo e chegando ao cúmulo de mandar os mecânicos da Ferrari projetarem uno carro novo depois de xingar o modelo da escuderia.

Se você pensou neles, acertou!

Os dois travam una disputa sem precedentes pelo título da Fórmula 1 de 1976, sendo que Niki está bem estabelecido na Ferrari e já foi campeão no ano passado e Hunt busca seu primeiro título, agora correndo pela McLaren, já que a equipe pela qual estreou na competição, a Hesketh, faliu e Emerson Fittipaldi tinha deixado una vaga em aberto quando foi passar vergonha pela Coopersucar (Depois do acidente com Niki Lauda a Ferrari o procurou para substituir o churrasquento, mas Emerson recusou)

“Pra quê que eu fui inventar essa merda, hein?”

Ambos os corredores passam por momentos especiais antes de se engalfinharem nas pistas: Niki Lauda engata uno casamento enquanto James Hunt acaba de sair de uno, pois sua mulher o troca pelo (um deles) marido da Elizabeth Taylor, Richard Burton e assim arruina dois casamentos de una vez só. Inclusive é nessa parte do filme que Hunt solta una das suas melhores falas quando agradece por estar solteiro novamente , non ter que pagar uno tostão para a ex (afinal foi ela quem o traiu e non o contrário) e deixar a “bucha” para o Richard Burton. O filme parece corroborar o ditado “Feliz no jogo, infeliz no amor” (Non é SPOILER se o filme trata de uno evento que já aconteceu)

A lata dos ragazzi melhorou um pocco

Aliás a grande dificuldade de uno filme baseado em fatos reais é o de manter o interesse do espectador em una trama QUE ELE SABE como termina. Na verdade, os grandes atrativos para quem vai ver esse tipo de filme é , primeiro, saber como o diretor vai reproduzir determinado momento chave, neste caso o acidente de Niki Lauda em Nürburgring (todo vai ver o filme esperando ver o Lauda virar churrasco). Segundo, saber como o diretor vai retratar acontecimentos que as pessoas não viram, sendo o exemplo mais gritante a reação de James Hunt depois de Niki Lauda abandonar una entrevista após una pergunta maldosa (SEM SPOILERS).

O grande mérito do filme é o de alternar as narrativas, una hora quem narra é Hunt, otra é Lauda e o espectador tem a oportunidade de ver o mundo pelas óticas desses dois personagens bastante singulares. O filme encerra deixando em aberto a questão que eu coloquei aí em cima no título e mostrando o quanto o fato de você ter ou não alguém com quem se preocupar afeta o modo como você vive e trata sua vida.

O Niki Lauda lá atrás parece estar com cara de inveja ou algo assim

Além dos atores principais, também vale destacar também a interpretação das atrizes que fazem as esposas: Alexandra Maria Lara (como Marlene Lauda) e a contestada Olivia Wilde (como Suzy Miller). O diretor Ron Howard (“Apollo 13″) consegue conduzir muito bem a trama, roteirizada por Peter Morgan (“Frost/Nixon”). Destaque para a fotografia de Anthony Dod Mantle (reproduzindo uno aspecto setentista), para os figurinos de Julian Day (pelo mesmo motivo) e para a equipe de maquiagem, principalmente por ter deixado o Daniel Brühl tão estropiado quanto o verdadeiro Lauda (sem contar a dentadura que ele usou para ficar igual ao “rato austríaco”).





Pensamento da daminha de honra: “DAT ASS”


Enfim, mesmo que você não curta assistir corrida, vá ver o filme. Melhor que ficar se descabelando porque não vai ter brasileiro no circo da F1 ano que vem (nunca a expressão “circo” esteve tão corretamente empregada)



Cotação

8,5/10 cabeças de cavalo – Melhor que torcer para o Felipe Massa  

Fontes:

http://www.impawards.com/2013/rush_ver4.html
http://www.hollywoodreporter.com/news/rush-gravity-don-jon-hollywoods-595758
http://www.huffingtonpost.co.uk/2013/09/07/rush-movie-chris-hemsworth-ron-howard-james-hunt-interview_n_3885336.html
http://www.autoguide.com/auto-news/2012/08/ron-howards-f1-movie-rush-release-date-announced.html
http://www.rushmovie.com/
http://pablobazarelloeosfilmes.blogspot.com.br/2013/09/critica-rush-no-limite-da-emocao.html
http://www.caradvice.com.au/252879/rush-movie-review/
http://www.theeffect.net/2013/09/03/rush-the-review/
http://www.autoguide.com/auto-news/2012/08/ron-howards-f1-movie-rush-release-date-announced.html
http://www.ausmotive.com/2012/03/28/aussie-chris-hemsworth-to-play-james-hunt.html
http://www.planet-f1.com/driver/3260/8906874/And-The-Rush-Winners-Are…
http://www.gogpseries.com/2013/01/o-signo-dos-campeoes.html
http://gq.globo.com/Motor/noticia/2013/09/lenda-hedonista-de-james-hunt.html
http://forum.grindhousedatabase.com/index.php?topic=397.0
http://monocotidiano.wordpress.com/
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/09/1341062-critica-duelo-dramatico-entre-corredores-de-formula-1-e-tema-de-rush.shtml
http://www.research-racing.de/NikiLauda2.htm
http://www.digitalspy.co.uk/movies/i403213-8/chris-hemsworth–olivia-wilde-on-the-rush-set-james-hunt-and-suzy-miller.html

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