Apesar de haver poccos filmes de Ano Novo comparado com os filmes de Natal, eles existem e são tão chatos quanto, que o diga aquele com a nariguda do Glee. Dos raros que salvam, tirando os de terror (“New Year’s Evil”) e os de ação (“Homem de Ferro 3”), podemos citar este “Get Crazy”(que no Brasil ganhou o título de “NA ZORRA DO ROCK”!!!!), que é do mesmo diretor de “Rock ‘n’ Roll High School”e constatar como o mundo encaretou em 30 anni, pois é difícil lembrar de algum filme recente que seja tão anárquico e divertido.

A história é a seguinte: Max deWolfe (Allen Goorwitz, o Harold Lutz de “Um tira da pesada II”) quer fazer uno mega show de reveillon em sua casa de shows “Saturn Theater”(inspirado no mítico Fillmore East de Los Angeles), contudo, o inescrupuloso mega-promoter Colin Beverly (Ed Begley Jr., o John ‘Stumpy’ Pepys do também roqueiro e mítico filme, “Spinal Tap”) que quer comprar o teatro (se você pensou em Dr. Abobrinha, acertou). Enquanto o promoter conta com a ajuda de dois capangas que agem como verdadeiros clones seus e também do sobrinho de Max (Miles Chapin, que fez uno homônimo seu em “O povo contra Larry Flint”), que é do tipo de sujeito que puxa o saco de quem tem mais poder.

Já do lado de Max estão seus funcionários, destacando-se os personagens de Gail Edwards (Willy Loman) e do famoso  Daniel Stern como Neil Allen. Non sabe quem é Daniel Stern? Vamos ver se com esse vídeo você o reconhece:

Ecco! Stern é o ladrão tonto de “Esqueceram de mim” 1 e 2, o parceiro de Joe Pesci. Para quem non sabe, ele também fazia a narração de “Anos Incríveis”, no papel do Kevin Arnold adulto.

Contando assim, non parece grande cosa, mas o grande atrativo do filme são as atrações musicais, que são versões parodiadas de artistas reais. O maior exemplo é o de Auden, personagem do saudoso Lou Reed, que é una caricatura do Bob Dylan. Amicco pessoal de Max, ao receber o convite especial (de alguém que está acamado por problemas cardíacos) para tocar no Reveillon (detalhe: o personagem passou 6 anni recluso)  resolve viajar para L. A. de táxi, para se inspirar a compor uno novo álbum.

Otro artista convidado é KingBlues (Bill Henderson, o negão com amostra de urina em “Máquina Mortífera 4”), una mistura de Muddy Waters com B. B. King e que é acompanhado por una banda de músicos judeus (entenderam o trocadilho? Blues band/Jews band?). A primeira sequência em que aparece é em uno enterro e é hilária, principalmente por causa de una piada com cegos que dificilmente seria feita hoje em dia.

Ó o cego CAAAIIIIIIINDO…

Otra atração do show é o de Nada (Lori Eastside, que na verdade trabalha no departamento de casting dos estúdios de Hollywood, tendo trabalhado em “O Lutador”), típica vocalista de banda new wave dos anni 80 que parece una mistura de Toni Basil (HEY MICKEY! HEY MICKEY!) com Joan Jett (I looove rock-n-roll!Nananananana too much babeeee!). A primeira cena da banda no filme tem o mérito de revitalizar a clássica piada de uno monte de gente em uno carro minúsculo.

O convidado especial do Nada é Piggy, uno punk que parece integrante do Misfits sem maquiagem. Seu intérprete é Lee Ving da banda punk da vida real Fear.

Também podemos citar uno “clone” de Jerry Garcia, do Grateful Dead, chamado Captain Cloud, que chega com sua banda em uno ônibus coloridão parecido com o furgão do Scooby Doo, como se 1968 nunca tivesse acabado (bom, para o Zuenir Ventura nunca acabou) em uno clima totalmente sexo, drogas e rock-n-roll. Inclusive uno dos espectadores do show é uno mascote em forma de baseado (!!!!).

Non bastasse esse mascote, há otro personagem que merecia aparecer em otros filmes mesmo que non fosse do Allan Arkush. Trata-se de “Eletric Larry”, una mistura de Darth Vader com Capitão Presença, cujo super poder é sempre aparecer na hora certa com una maleta cheia de drogas e é o conteúdo dessa mala que vai ajudar a movimentar a trama.

Mas nenhum personagem, por mais fantasioso que seja é mais brilhante do que o de Malcolm McDowell, MICK JAGG… quer dizer, REGGIE WANKER, cuja inspiração no líder dos Rolling Stones é evidente. Os trejeitos a dança, o modo de cantar, até as groupies, tudo lembra o Jagger. É capaz de ter una ragazza de nome Gimenez enfurnada em seu camarim.

Aliás, os momentos mais memoráveis do filme são protagonizados por ele, como quando ele sai do palco, deixa o baterista fazendo uno solo (no caso o ex-baterista do Doors, John Densmore), volta ao palco e o baterista CONTINUA TOCANDO!

E quando ele bebe una água batizada e conversa com o próprio pênis?

Apesar de non ter sido dirigido pelo trio ZAZ (Zucker-Abrahams-Zucker, responsável por “Apertem os cintos… o piloto sumiu!” e otras doideiras), o humor do filme é típico de filmes do trio. Quando os personagens principais aparecem em cena, eles são apresentados por legendas irônicas, o avião de Reggie quando é visto de cima, percebe-se claramente que é una maquete, há uno bombeiro que tenta a todo custo impedir que soltem fogos de artifício no teatro ou que uno punk dispare uno lança-chamas e falha miseravelmente.

Otro momento ZAZ é quando há uno pequeno foco de incêndio no teatro e Neil Allen resolve ligar a mangueira no registro do banheiro masculino. Acontece, que o banheiro é tão alagado que você vê una barbatana de tubarão passando pelo local.

O baseado custa 1 dólar

Dá para fazer uno drinking game, em que você toma una dose de cachaça a cada brincadeira visual assim, como quando o vilão coloca uno rato branco em uno labirinto em forma de cifrão sobre uno aquário de uno pequeno jacaré.

E o que dizer da mesa avaliadora de stage divings:

Na época, usar camisa do Ramones non era modinha
Ó a chapelaria do teatro
Surfando literalmente na platéia

Há também unas viagens estilo “Fantástico Mundo de Bobby”, como quando Neil Allen se imagina como Tarzan quando conversa com Willy Loman:

Enfim, eu poderia ficar horas e horas enumerando as piadas desse filme e falando de como ele é maravilhoso, mas é melhor deixar vocês conferirem com seus próprios olhos. Infelizemente, por una questão de direitos autorais, esse filme nunca foi lançado em DVD, mas ele está disponível na íntegra no You Tube (com áudio em inglês e sem legendas).


Cotação:

8,5/10 cabeças de cavalo – Melhor que pular ondinhas em Copacabana

Fontes:

http://imageshack.us/a/img837/2808/e9w7.jpg
http://www.imdb.com/title/tt0085551/?ref_=nv_sr_1
http://blogs.estadao.com.br/jt-variedades/files/2010/06/CASTELO_.JPG
http://indiraefel.files.wordpress.com/2008/11/51752_913.jpg
http://www.malvados.blogger.com.br/cappresafin.gif

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