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Se têm una coisa de que non podemos acusar Zé do Caixão é de non se promover. Pocco tempo depois do lançamento de “O Exorcista” ele lança uno filme chamado “Exorcismo Negro” e ainda chama a mídia tupiniquim e desaconselha as pessoas a assistirem o filme americano, afirmando que “americano não entende nada de diabo, quem entende é brasileiro”. A bem da verdade, o filme non é una cópia do filme da Regan. Ainda bem!

Mesmo non sendo una cópia do filme de William Friedkin, “Exorcismo Negro” tem alguns elementos que remetem a obra original, como gente possuída com a cara estranha e toda pálida, tentativa de exorcismo e até una referência à cena em que a personagem de Linda Blair enfia o crucifixo “nas partes”. Há também citações à “O bebê de Rosemary” e muito antes de Superman enfrentar seu alter-ego no cinema em “Superman III”, Zé do Caixão e José Mojica já faziam isso. Não à toa uno parceiro desse blog afirma que “o Brasil é pioneiro em coisas que a gente nem imagina”.

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A serenidade do olhar de quem não liga pra manicure

A princípio o filme deveria ser lançado antes do filme americano (que aqui estreou em 11/11/1974), mas a Censura atrasou seu lançamento, o que non foi tão ruim, pois jogaram sua estreia para 23/12/1974, na véspera da véspera do natal! Nas semanas em que ficou em sessão, os alunos de Mojica simulavam transes hipnóticos durante as exibições a fim de promover o filme.

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Que porra é essa, véi…

Non bastasse usar elementos de alguns filmes e antecipar alguns otros (fazendo “torture porn” antes disso virar modinha), Mojica cria para si una imagem que non condiz com a realidade. No filme ele é uno cineasta mais bem sucedido do que realmente é e que vai passar o natal na mansão de uno amicco (Walter Stuart) com sua esposa (Georgia Gomide), seu papa (Joffre Soares) e as 3 filhas, sendo que una é interpretada pela filha real de Mojica, Merisol Marins, otra por Alcione Mazzeo (ecco, a mãe do Bruno) e a terceira interpretada pela linda loira Ariane Arantes, que ficou noiva do personagem de Marcelo Picchi, ecco, o professor de educação física de “Uma Escola Atrapalhada”

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O mais engraçado é que este personagem realmente viu os filmes do Mojica e fica fazendo perguntas sobre sua carreira. O Zé leva a fantasia dele muito a sério.

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Eu não sou intelectual e bem sucedido?

Logo que chega ao local, Mojica presencia eventos muito estranhos, no caso possessões demoníacas dos moradores da casa, do papa, do genro, da Alcione e da noivinha, o que deixa em pânico a garotinha interpretada pela filha do Zé que acaba competindo com o Fabrício Cavalcanti de “Horas Fatais” pelo título de “filho(a) de cineasta que mais chora em uma obra do próprio pai”

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O Crivella foi eleito no Rio

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O Dória foi eleito em Sampa no primeiro turno 

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A PEC 241 foi aprovada na Câmara em dois turnos

Com o passar do tempo vamos descobrindo mais sobre o passado da família e sobre a influência sobre ela exercida pela personagem de Wanda Kosmo, que além de ter sido batizada com o nome dos “Padrinhos Mágicos” fez a mãe da primeira mulher de Sinhozinho Malta em “Roque Santeiro”.

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Non dá para dar mais detalhes sobre a obra sem correr o risco de dar spoilers, mas posso adiantar que o clímax ocorre com o confronto entre José Mojica Marins e seu alter ego Zé do Caixão, algo que é antecipado na entrevista coletiva logo no início do filme quando Mojica estabelece quais são as diferenças entre ele e o personagem e explica porque usa unhas naturais em vez de postiças. Esse conflito é referenciado também no último episódio da minissérie sobre o Zé produzida pelo canal Space.

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“Você que fica famoso e eu que pago as conta!”

A partir daí, toda vez que é citado o nome de Zé do Caixão cai ou explode alguma coisa. Em una conversa entre Zé, o amicco e seu genro é citado que Arthur Conan Doyle certa vez estava tão de saco cheio de Sherlock Holmes que o “matou” em una de suas histórias. Será que o Mojica nos queria fazer crer que faria isso com seu personagem mais famoso (Na real, nem Conan Doyle, nem Mojica resistiram e continuaram explorando seus personagens e o final desse filme nos dá una pista disso).

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Anos mais tarde, Wes Craven também misturou realidade com fantasia e tentou “matar” seu personagem mais famoso em “Um Novo Pesadelo” o sétimo e definitivo filme de Freddy Krueger. E vocês achavam que o Reviewtado tava brincando quando fez aquela afirmação acima, né?

Lucio Fulci também fez uno filme autorreferencial em “A cat in the brain”, que eu gosto mais de comparar com “Delírios de um Anormal” pois ambos usam cenas de filmes anteriores de seus realizadores e mostram personagens centrais atormentados.

Em una das conversas é citado o nome do Monsenhor Corrado Balducci, eminente figura do Vaticano, falecido em 2008 e que acreditava em parapsicologia e OVNIs. O roteiro do filme foi escrito por Mojica, seu parceiro de longa data Rubens Francisco Luchetti e Adriano Stuart, que também participa como assistente de direção e ator, tendo papel relevante na trama.

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OLHA O PUTO AQUI, PORRA!

O produtor é o famigerado Aníbal Massaini Neto, produtor dos filmes de Walter Hugo Khouri e responsável por inúmeros otros filmes, dentre eles “Pelé Eterno”. A fotografia non ficou por conta de Giorgio Attili, parceiro antigo de Zé, mas sim de Antônio Meliande, que trabalhou em mais de 100 filmes, os mais variados, de “Um Pistoleiro Chamado Papaco” a “Cinderelo Trapalhão” e uno dos assistente de produção é André Klotzel, que muitos anos depois dirigiria “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

Embora tenha mais recursos que os anteriores (R$150 mil) e uno elenco bem melhor, non é dos melhores filmes do Mojica (“Despertar da Besta/Ritual dos Sádicos” merece mais esse mérito), para mim perde uno pocco do ritmo ao chegar perto do clímax (que a meu ver merecia una luta mais longa entre criador e criatura), contudo non deixa de ser uno dos melhores dele e merece ser redescoberto, principalmente agora que estamos a uno mês do natal. Olha que filme bom para ver com toda a família!

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Tamo vendo você chamando “Invocação do Mal” de clássico

O filme infelizmente non foi lançado em DVD, mas pode ser conferido na íntegra no YouTube.

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A possessão da noivinha

Leia otras críticas do filme aqui e aqui.

Cotação:

3,5/5 cabeças de cavalo – Melhor do que eleger um evangélico para a Prefeitura do Rio.

 

 

 

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