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vlcsnap-2016-12-26-01h06m41s117Quem acompanha esse blog deve lembrar de quando fiz un apanhado dos filmes desconhecidos dos Trapalhões. Infelizmente a época na minha pesquisa non constava un filme do mais querido do quarteto e portanto venho aqui reparar esse erro histórico e pagar a dívida que tenho com o incrível Lozandres Braga, comandante do imprescindível ostrapalhoes.net, que foi quem apontou a falha.

A indicação sobre tal filme está presente na excelente biografia “Mussum Forévis: Samba, Mé e Trapalhões“. No início dos anos 60, o recém promovido cabo da Aeronáutica, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Carlinhos da Rua São Francisco Xavier, futuro Mussum, tocava reco-reco no grupo “Os Modernos do Samba“, que era empresariado por Carlos Machado, empresário da noite carioca.

 

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Em 1963, por conta da morte recente de Lamartine Babo, havia muita expectativa com relação a estreia do espetáculo “O teu cabelo não nega” baseado em música creditada ao compositor. O sucesso do musical atraiu a atenção do empresário mexicano Carlos Armador, que queria levar a trupe de vedetes e músicos de Machado para una turnê de 5 meses no México.

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A temporada incluía una participação no filme “Buenas Noches Año Nuevo” estrelado por Ricardo Montalban – o Khan de “Jornada nas Estrelas II” – e Silvia Pinal – que ja foi a Reverenda Lúcia da versão mexicana de “Carinha de Anjo” que passou na emissora de Seu Sílvio, bem como fez o episódio “La insegura” do filme “El cuerpazo de delito“, cujo otro dos 3 episódios, contou com a presença de dois comediantes mexicanos aí.

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Repare aí como foi a presença de Mussum no México, conforme o livro de Juliano Barreto:

Para Mussum, a adaptação ao novo país não foi fácil. O idioma teve que ser descascado aos poucos, com ingênuas tentativas de falar espanhol virando piadas entre os integrantes da companhia. A nomenclatura presente nos menus causava espanto, dificultando até o simples ato de escolher o que seria comido no almoço. A mistura de ingredientes da paella, por exemplo, acabou tornando-se matéria-prima para uma das piadas que Mussum mais gostaria de contar durante os futuros shows dos Originais do Samba, na década seguinte. Dizia ele que a rapaziada sofria, passava fome e nem reclamava quando encarava um prato típico que vinha com uma mistura de “arroz, galinha, carne, cravo da chuteira do Pelé, raquete da Maria Esther Bueno…”.

NOTA: O Mussum já contou essa história na TV Cultura (a partir de 1:51):

Até descobrirem o que era ensalada, pediam agrijones. Sem saber o que eram as tais papas, perguntavam aos garçons sobre “buatoatas e buatoatiñas fritas”. Até a área do meretrício, chamada de Zona Roja, virou a Zona Rosa, em uma tradução mais sonora que precisa. É bastante provável que a invenção do termo forévis tenha vindo dessa época, quando Mussum precisava se comunicar de algum jeito com mexicanos, americanos e turistas vindos de todos os cantos do mundo, além de participar de atrações que incluíam números com canções internacionais, cantadas em inglês, espanhol e francês. Como não dominava nenhum desses idiomas, inventava palavras para brincar com os colegas de show. Diz a lenda que Mussum explicou errado, de propósito, o que queria dizer o tradicional cumprimento hispânico “¡Hola! ¿Qué tal?” para a mulata Vera Regina, uma das estrelas da companhia.

 

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Na noite de estreia de um espetáculo, ela teria encerrado seu show dizendo à plateia: — Porra para nuestros amigos mexicanos! E, para tornar a coisa mais surreal, o público respondia em coro: — Porra! Porra para los brasileños! Porra para el Brasil! Porra!

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(…) As apresentações frenéticas, já sem o acompanhamento das cabrochas, fizeram com que o nome do grupo fosse modificado. Os Modernos passariam a ser chamados no México de Los Siete Diablos de la Batucada, e, na volta ao Brasil, começariam a usar o nome de Os Sete Modernos do Samba. Outras atrações de destaque da Colosal Compañia Brasileña eram os impossíveis solos de bateria de Paulinho, el primer baterista de Brasil, e uma impressionante imitadora de Carmen Miranda chamada Marília Pêra.

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Na película, Mussum estrearia como comediante no cinema. Em uma cena em que a cantora Monna Bell interpreta “Desafinado”, de Tom Jobim, ele e Jonas fazem um papel duplo de músicos e de palhaços . Vestindo camisetas amarelas, calças e sapatos brancos, eles são enquadrados agachados, tocando o reco-reco e o pandeiro contidamente junto de Monna, em um cenário vazio. Quando a música avança e o set é invadido por dezenas de dançarinas, a câmera mostra o rosto de Mussum em close, virando os olhos e torcendo a boca ao ver as curvas da mulherada.  A performance lembra muito aquele lobo dos desenhos animados que uiva quando vê uma mulher bonita, arregalando os olhos como se fossem saltar, e também pode ser comparada com os trejeitos que seriam vistos anos mais tarde em “Os Trapalhões”

 

Graças ao Lozandres, agora podemos ver esse filme (sem legenda) e desligarmos un pouco de tudo de ruim que aconteceu neste ano vendo a performance do saudoso trapalhão. Que venha 2017!

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